Sexta-feira, 24 de maio de 2024
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TENSÃO NO CAMPO

Quebra na safra de soja pode passar de 10% em MT devido à estiagem

Fortemente afetados pela onda de calor e escassez de chuvas, produtores já cogitam antecipar o plantio do algodão para compensar as perdas da soja

Quebra na safra de soja pode passar de 10% em MT devido à estiagem

Foto: Lenine Martins | Secom

Fortemente afetada pela onda de calor e falta de chuvas nos últimos meses, a produção de soja em Mato Grosso deve recuar mais de 10%. A estimativa foi feita pelo presidente eleito da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, em conversa com jornalistas na quinta-feira, 23 de novembro. Marco tradicional do início do período chuvoso, o mês de novembro tem sido seco em Mato Grosso, devido ao fenômeno El Niño.

O período prolongado de estiagem atrasou o início do plantio da soja e a onda de calor afetou a germinação das sementes que foram lançadas entre outubro e o começo de novembro. Conforme noticiado pelo jornal Estadão Mato Grosso, alguns produtores precisaram replantar áreas devido às perdas.

 

“O período de estiagem atrasou o plantio da soja. Nós viemos de uma excelente produção da soja, mas nós devemos ter aí uma queda acentuada. Ainda é difícil contabilizar, porque está muito cedo, mas podem passar dos 10% as perdas, se o clima persistir da maneira que está. E nós podemos ter uma redução no plantio da área de milho, por inviabilizar, por estar fora da janela. E, mesmo assim, a gente acredita que muitos produtores vão insistir, porém, com alto risco de não produzir dentro do esperado”, disse Lucas.

Devido ao atraso no plantio e às perdas já registradas, alguns produtores já desistiram da safra de soja e se preparam para antecipar a semeadura do algodão. Essa mudança traz o risco de perder a produção de soja, mas pode compensar para o produtor porque o algodão produz mais pluma por hectare quando plantado em dezembro, em vez de janeiro, na segunda safra.

O presidente da Aprosoja ainda não tem os dados para detalhar a abrangência dessa mudança, mas adianta que se trata de produtores com áreas que chegam a 4 mil hectares.

“Ainda é difícil contabilizar, mas a gente tem, por exemplo, relatos de produtores de áreas de mais de 4 mil hectares que vão deixar de plantar. Vários produtores, áreas bem significativas, que vão deixar de plantar a soja já por estar fora da janela e vai diretamente para o algodão, ou seja, a área que não vai produzir soja também. Mas é difícil contabilizar hoje porque o nosso estado é muito grande, muito manchado, tem muitas realidades. Praticamente, Mato Grosso a gente tem que tratar como um país e não como um estado”, relatou.

Ainda há expectativa de que as chuvas pontuais registradas na última semana ajudem na recuperação da soja que já foi plantada. Por isso, os produtores devem pesar nas próximas semanas os prós e contras da troca de cultura, da soja pelo algodão.

Apesar de admitir que haverá uma queda na produção, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) ainda não reviu suas projeções para a safra 2023/24. Diante desse cenário, permanece a previsão de plantio de soja em 12,22 milhões de hectares. Com uma produtividade projetada em 59,70 sacas por hectare, a estimativa é de uma produção de 43,78 milhões de toneladas, 3,39% a menos que a safra passada.

 
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