Segunda-feira, 20 de maio de 2024
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Notícias Política

CASO MARIELE

Câmara vê cassação de Chiquinho Brazão como irreversível

Acelerar o processo, no entanto, está descartado; deputados afirmam que o rito não será atropelado

A decisão de manter Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) preso não deve acelerar a análise do pedido de cassação do deputado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, segundo parlamentares ouvidos pela reportagem.

 

Na quarta-feira (10), o plenário da Casa manteve a prisão do deputado, que é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), em 2018.

 

O presidente do colegiado, deputado Leur Lomanto Júnior (União Brasil-BA), afirmou à Folha que o caso será analisado "com rigor", mas que não irá atropelar ritos regimentais para acelerar o processo.

 

Apesar disso, nos bastidores da Casa a cassação de Brazão é dada como certa. A avaliação de deputados é que ele só conseguirá reverter sua situação caso surja um fato novo muito contundente, o que, até o momento, não foi visto.
 

Entre os 34 integrantes do Conselho de Ética (incluindo titulares e suplentes), o placar foi dividido: 17 votaram pela manutenção da prisão, 9 pela revogação, 4 se ausentaram e 4 se abstiveram.

 

A forma como se posicionaram em relação à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de mandar prender o deputado, porém, não deve ser parâmetro para a votação da cassação.

 

Isso porque diversos parlamentares que anunciaram voto pela derrubada da prisão afirmaram que, posteriormente, serão favoráveis a retirar o mandato do colega. O movimento contra a prisão ocorreu para dar um recado ao Supremo e preservar prerrogativas de parlamentares, que preveem poucas situações em que um deputado pode ser preso.

 

Integrantes do PL que votaram contra a detenção, por exemplo, já declararam publicamente que são contrários à interferência do STF em mandatos da Câmara, mas favoráveis à cassação de Brazão. Acelerar o processo, no entanto, está descartado.

 

Deputados afirmam que apesar de se tratar de um caso de grande dimensão, o rito não será atropelado. Eles afirmam ainda que é necessário seguir os procedimentos até mesmo para evitar uma eventual nulidade do processo mais adiante.

 

Segundo o Código de Ética, o processo não pode exceder 90 dias e há uma série de prazos a serem cumpridos no período –apresentação de parecer, defesa do deputado e votação.

 

O órgão tem caráter consultivo. Caso decida recomendar a cassação, ela só ocorrerá com o apoio, no plenário da Câmara, de ao menos 257 dos 513 deputados. O deputado Leur Lomanto Júnior afirmou à Folha que não haverá "qualquer tipo de interferência partidária e política" na atuação do conselho.

 

"Não existe possibilidade de nenhum tipo de interferência partidária e política no Conselho de Ética. Os membros agem com isenção. Eles têm mandato eletivo de dois anos e não podem ser substituídos por líderes. Tenho certeza que todos irão analisar o processo e cada um tomará a sua decisão de acordo com a sua consciência."

 

Ele também diz que haverá seriedade e a garantia do "direito da ampla defesa do representado, cumprindo todos os procedimentos do regimento interno da Câmara". O colegiado instaurou o processo de cassação na última quarta-feira.

 

O pedido foi apresentado pelo PSOL no dia 27 de março. Na sessão, foram sorteados três nomes para ser relator do pedido: Bruno Ganem (Podemos-SP), Ricardo Ayres (Republicanos-TO) e Gabriel Mota (Republicanos-RR). Nesta semana, Lomanto Júnior escolherá um desses nomes para relatar o processo. 

 
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