Wesley Moreno/PowerMix
22/11/2025 - 15:25
Nobres, a 123 km de Cuiabá, desponta entre as cidades mais letais da Amazônia Legal no período de 2022 a 2024, conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O município registrou 114,3 homicídios por 100 mil habitantes, ocupando a segunda posição no ranking nacional entre cidades com até 20 mil moradores, atrás apenas de Vila Bela da Santíssima Trindade, que atingiu taxa de 136,1.
De acordo com o estudo, a presença de facções criminosas em guerra pelo controle do tráfico de drogas é o principal fator que impulsiona a escalada de violência em Nobres. O conflito entre grupos rivais tem provocado uma sequência de execuções e disputas armadas que afetam diretamente a rotina da população.
No caso de Vila Bela da Santíssima Trindade, líder do ranking, o cenário é influenciado pela fronteira com a Bolívia, além da atuação de garimpeiros e organizações criminosas vinculadas ao narcotráfico na Terra Indígena Sararé.
Outro município mato-grossense que figura entre os mais violentos é Alto Paraguai, com taxa de 99,3 homicídios por 100 mil habitantes, ocupando o quarto lugar na lista. A região é dominada por uma facção local, dissidente de um grupo do Rio de Janeiro, marcada pelo uso extremo da violência.
Outras cidades citadas
Entre municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes, Mato Grosso também aparece em duas posições de destaque negativo:
Barra do Bugres — 2º lugar, com taxa de 89 homicídios por 100 mil habitantes, afetada pelo escoamento de drogas vindas da Bolívia e disputa entre facções.
Aripuanã — 3º lugar, com taxa de 85,9, impulsionada pelo garimpo ilegal e pela atuação de facções que controlam a comercialização de ouro, cobrando até 2% sobre o metal.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Sorriso lidera com taxa de 65,3. Considerada capital do agronegócio, a cidade viveu recentemente confrontos entre duas facções nacionais e um grupo local, elevando os índices de homicídios.
Os dados reforçam o avanço da criminalidade organizada em diferentes regiões de Mato Grosso e revelam como disputas territoriais, narcotráfico e atividades ilegais, como o garimpo, moldam o mapa da violência no estado.
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