Segunda-feira, 17 de agosto de 2026
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Notícias Caldo de Piranha

SEM COMUNICAÇÃO

A plateia que não veio

Ainda dá tempo de acordarem para levar publico ao evento.

Há um silêncio estranho rondando as noites de julho em Diamantino. Não é o silêncio da praça vazia depois que a festa acaba, mas aquele que antecede uma pergunta incômoda: onde está o povo?
O tradicional Festival de Férias acontece, o palco está montado, ambulantes aguardam clientes e a equipe responsável insiste em fazer acontecer. O secretário Gerson Vidal e seus colaboradores seguem trabalhando, remando contra uma corrente que parece muito mais forte do que a simples dificuldade de organizar um evento. Nos bastidores, cochichos apontam para algo que vai além da falta de divulgação. Fala-se em boicote. Fala-se em inveja. Fala-se em uma disputa silenciosa, dessas que não deixam registros oficiais, mas cujos efeitos aparecem nas cadeiras vazias.
A comunicação, que deveria ser o elo entre a festa e a população, parece ter perdido o endereço. Há quem diga que poucos sequer sabem que o festival está acontecendo. Cadê a Comunicação?. E, convenhamos, acreditar que algumas publicações em redes sociais bastam para mobilizar uma cidade inteira é desconhecer como funciona a vida fora das telas.
Enquanto isso, os vendedores ambulantes olham para a rua esperando um movimento que não chega. Quem depende da festa para reforçar a renda volta para casa levando mais esperança do que dinheiro.
Os comentários de corredores ainda sugerem outra situação curiosa: nem todos dentro da própria administração vestiram a camisa do evento. Algumas equipes simplesmente não apareceram. Quando isso acontece, a impressão que fica é a de uma guerra fria, travada sem discursos, mas cheia de recados.
Também chama atenção outro fenômeno bastante comum nos tempos atuais: a confusão entre comunicação institucional e promoção pessoal. Em muitos momentos, parece que a prioridade é acompanhar cada passo do prefeito diante das câmeras, enquanto a divulgação das ações públicas ocupa um espaço secundário. A administração pública, no entanto, deve comunicar o governo, os serviços e as oportunidades oferecidas à população — não apenas seus personagens.
Talvez por isso as redes sociais oficiais acabem falando sempre para o mesmo público. Basta observar quem comenta, compartilha ou reage. Em grande parte, são servidores, comissionados, contratados, fornecedores e simpatizantes habituais. É um círculo que se retroalimenta, enquanto a maior parte da população permanece distante da conversa. Na política, isso tem um nome conhecido: falar para si mesmo.
Conexão não se mede pela quantidade de curtidas, mas pela capacidade de fazer a informação chegar a quem realmente precisa dela. E, quando uma festa tradicional encontra dificuldades para atrair público, talvez seja hora de olhar menos para os algoritmos e mais para as ruas.
O calendário eleitoral ainda marca 27 meses até a próxima disputa. Parece muito tempo. Na política, porém, é apenas o início da contagem regressiva. Acorda Comunicação!!!
Amanhã tem mais.
 
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