Imprimir

Imprimir Notícia

Wesley Moreno/Power Mix

25/11/2025 - 15:29

Justiça condena pintor a 20 anos de prisão por tentativa de feminicídio na frente dos filhos em Diamantino

O pintor Luan Pereira da Silva, de 29 anos, foi condenado a uma pena de duas décadas de reclusão pelo crime de tentativa de feminicídio contra a ex-companheira em Diamantino/MT. A decisão, proferida pelo Tribunal do Júri na última sexta-feira (14), também impôs ao réu o pagamento de indenização de R$ 50 mil por danos morais à vítima.

A rigidez da pena imposta pelo corpo de jurados reflete a brutalidade do ato e os agravantes identificados. A sentença foi majorada em função do crime ter sido praticado na presença dos filhos menores de idade da vítima e, crucialmente, pelo flagrante descumprimento de medidas protetivas de urgência previamente solicitadas pela ex-companheira contra o agressor.

De acordo com a denúncia formalizada pelo Ministério Público do Estado (MP-MT), a motivação para a violência residia na não aceitação do término do relacionamento por parte de Luan Pereira.

A invasão criminosa ocorreu em 21 de novembro de 2024. Ignorando as restrições judiciais em vigor, Luan adentrou a residência da vítima e iniciou uma sequência de agressões com uma faca, desferindo golpes contundentes na cabeça, pescoço e braços da mulher. A barbárie se desenrolou integralmente diante da visão das crianças, menores de idade.

Um detalhe macabro, sublinhado pela acusação do MP-MT, determinou a sobrevivência da vítima: a agressão só cessou porque a lâmina da faca utilizada quebrou durante o ataque. Após o crime, o acusado ainda ameaçou a ex-companheira de morte caso ela relatasse os fatos às autoridades.

A Promotora de Justiça Rhyzea Lúcia Cavalcanti de Morais, atuante na sessão do Tribunal do Júri, foi enfática ao afirmar a postura institucional. “Essa decisão demonstra que a violência contra a mulher não será tolerada. O Tribunal do Júri reconheceu a gravidade do crime e aplicou uma sanção compatível com a brutalidade dos fatos”, declarou Morais.

O caso de Diamantino ressoa em um cenário de segurança pública extremamente delicado. Pelo segundo ano consecutivo, o estado lidera o ranking nacional com a maior taxa de feminicídios, conforme dados compilados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

No ano passado, foram registradas 47 mulheres assassinadas por motivação de gênero no estado, configurando uma taxa de 2,5 casos por 100 mil habitantes, o índice mais alto do país. Segundo projeções do próprio Ministério Público, o número pode crescer ainda mais, atingindo 51 casos de feminicídios neste ano, reforçando a urgência de medidas mais severas e preventivas para a proteção feminina.

 
 Imprimir