• Diamantino, 20/10/2020
LUTA

Carteiros e entregadores dos Correios entram em greve: tempo indeterminado

Entregas de encomendas, contas, faturas e demais correspondências, além do funcionamento de agências, segue suspenso


Carteiros e entregadores de Mato Grosso somaram ao movimento paredista nacional e entraram em greve por tempo indeterminado, nesta terça (18), após os Correios revogar um acordo coletivo com os trabalhadores que garante direito e benefícios, como vale alimentação e plano de saúde.


Segundo o coordenador jurídico do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintect), Alexandre Aragão, a categoria vai manter 30% do efetivo. "A prioridade vai ser os serviços essenciais, como entrega de medicamentos e insumos para vacinas. Tudo aquilo que tem relação com que é essencial para a vida. A gente não vai deixar essa parcela da população em mão", disse.


Entregas de encomendas, contas, faturas e demais correspondências, além do funcionamento de agências, segue suspenso.


“Não é uma greve, em meio a uma pandemia, por simplesmente por fazer. Não é isso que está acontecendo. Não tem nenhum pedido de aumento de um centavo no salário dos trabalhadores. A única exigência do movimento grevista é que a empresa mantenha o acordo coletivo até 2021, conforme tinha decidido no ano passado”, disse.


O estopim para a greve foi à revogação, no dia 1º de agosto, dos benefícios garantidos em acordo com vigência até 2021. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) classifica a ação como "uma atitude desumana" e que impede tratamentos diferenciados que garantem melhor qualidade de vida aos trabalhadores. A categoria também luta contra a negligência da empresa com a saúde dos carteiros, após os sindicatos do país entrar na Justiça para garantir Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e álcool-gel.


As demais reivindicações da categoria são antigas e praticamente as mesmas pelo qual a categoria entrou em greve, por sete dias, em setembro do ano passado.


Os carteiros também lutam contra a privatização dos Correios. A FENTECT aponta que a precarização do serviço de entregas é parte das estratégias do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e busca vender a maior empresa do país, que tem lucro bilionário. Aponta ainda que milhares de pessoas em cidades pequenas podem ficar sem o serviço das empresas.



Outra luta é por concurso público. Na greve do ano passado, o presidente do Sintect, o carteiro Edmar Leite, não há edital desde 2011. "À medida que as cidades crescem, o número de funcionários diminui. Aqui no estado (de Mato Grosso) já fomos 1,7 mil. Hoje somos pouco mais de 1,2 funcionários. Não tem número de funcionários suficientes para fazer as entregas nos bairros”, disse na época.

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